Relatório/Contas 2019

Foi aprovado, no passado dia 23/06/2020, em Assembleia Geral, o Relatório e Contas do 65º Exercício – 2019.

Infelizmente, em resultado da falta de água nas albufeiras, confirmou-se o maior défice da história da ARBCAS: – 377.179€.

É o terceiro ano consecutivo com défice, tendo-se acumulado nos últimos três anos um défice total de 431.025 €. Esta situação será agravada, sendo certo que o presente ano será o quarto ano consecutivo com resultado negativo, com um valor de défice que também será assinalável, uma vez que o orçamento aprovado contempla uma despesa superior á receita em 430.000 €.

É o resultado de quatro anos de seca, com poucas ou nenhumas reservas de água nas albufeiras do Monte da Rocha, Campilhas e Fonte Serne. Felizmente tínhamos reservas financeiras para suportar um período difícil, como o que estamos a viver. No entanto, essas reservas vão terminar este ano, sendo certo que não poderemos continuar a aguentar a sucessão de anos sem a matéria que nos move, a água.

É a ARBCAS e os agricultores desta região que estão em dificuldades. Em 2017 ficaram por fazer 306 ha de regadio, em 2018 ficaram por fazer 389 ha de regadio, em 2019 ficaram por fazer 1995 ha de regadio e em 2020 ficaram por fazer 3550 ha de regadio.

E não foi mais grave para alguns agricultores porque existe uma ligação a Alqueva que permite que uma parte significativa do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado possa ter água a partir desta origem. No entanto, o elevado custo desta água tem asfixiado financeiramente a ARBCAS, uma vez que o seu modelo de gestão não tem previsto a aquisição da maioria da água consumida a uma entidade externa – a EDIA – mas sim a gestão de água própria com complemento de aquisição de água externa. Para ser uma ordem de grandeza, entre 2016 e 2019 a ARBCAS comprou 26.900.000 m3 à EDIA, o que representou um custo de 730.780 €. No presente ano deveremos ter mais um encargo na ordem dos 450.000 € com aquisição de água à EDIA.

As ligações de Alqueva deveriam ser um complemento à água existente nas albufeiras e nunca a única origem de água, em anos consecutivos. Nenhuma Associação é sustentável e pode sobreviver com esta dependência e estes encargos.

Se não vier a haver reservas de água nas albufeiras do Monte da Rocha, Campilhas e Fonte Serne, no próximo Inverno, o futuro desta Associação será preocupante. Está em causa a salvaguarda dos 26 postos de trabalho e a conservação e manutenção de 5 barragens e os 275 Kms de canais e regadeiras.